domingo, agosto 26, 2007

DE MARMITA E MOTIVAÇÃO

Ministro treinamento em diversos tipos de empresas. Mesmo aparentemente igual, cada atividade tem suas características, tal qual uma partida de futebol, que torna meu trabalho muito desafiador e prazeiroso. Certa vez fui contratado por uma empresa de construção civil para conversar com seus gerentes, responsáveis pela motivação dos mestres de obra, pedreiros, eletricistas, pintores e serventes. O problema era que existiam dois prédios em construção. Mesmo tendo as mesmas condições de trabalho, o desenvolvimento das obras era significativamente melhor em um deles. Qual era a causa de tal diferença?

Depois de realizar várias reuniões e estabelecer algumas linhas de ação, aproveitando uma folga na agenda, fui fazer uma visita aos prédios, um localizado perto do outro, que coincidiu com a hora do almoço. Os empregados de ambos os prédios recebiam marmitas, com a mesma comida, fornecidas por uma mesma cantina (Você sabe o que é uma marmita? Já comeu de marmita? O brigadeiro Eduardo Gomes chegou a perder uma eleição para presidente do Brasil por causa de um slogan: “marmiteiro não vota em brigadeiro”. Se não sabe, pesquise na internet).

Uma coisa me chamou a atenção. Num dos prédios, o de pior desempenho, as marmitas ficavam amontoadas num canto, sob poeira e esfriando, até a hora de ser servidas. O pessoal vinha almoçar com o espírito de um autêntico bóia-fria. No outro prédio, o de melhor desempenho, as marmitas eram colocadas em banho-maria num fogão, cobertas e entregues limpas e quentinhas na hora de comer. O entusiasmo do pessoal na manobra do garfo dava gosto de ver. Esta era a grande diferença entre os dois prédios: a forma como as pessoas eram tratadas, a forma como eram motivadas.

 

Muitas vezes nas minhas palestras eu abordo o tema Motivação. E às vezes até acabo complicando um pouco sua abordagem. O caso das marmitas mostra que a questão pode ser mais simples do que parece. Muitas vezes queremos descobrir ou inventar uma marmita para os nossos funcionários, propondo cardápios caros e sofisticados, enquanto que o que precisamos fazer é valorizar o conteúdo que a pessoa já traz consigo, esquentando a sua “marmita existencial” - valorizando seu trabalho, reconhecendo seus esforços e recompensando seu desempenho. Então, mantenha sua marmita aquecida e ajude sua equipe a manter as demais marmitas quentes. Bon apetit !!!